O dia escolhido pode ser o das mentiras, mas a homenagem é verdadeira: no próximo dia 1 de Abril, os Detroit Pistons vão retirar o número 10 de Dennis Rodman. Aproveitemos a oportunidade para recordar um dos melhores ressaltadores e defensores de sempre, mas também uma das personagens mais sui generis que já passou pelos campos da NBA.
Em 1996, na primeira temporada completa de Michael Jordan depois do seu regresso à competição, Rodman juntou-se aos Bulls para formar uma das melhores equipas de sempre e ser um dos protagonistas daquela que Phil Jackson apelidou de "Greatest Season Ever".
Com o regresso de Jordan, os Bulls tornaram-se novamente candidatos ao título e tinham já um dos melhores plantéis da liga. Mas desde a saída de Bill Cartwright e Horace Grant que não tinham uma presença interior forte e decisiva. Eram uma boa equipa, mas se queriam desafiar equipas como Orlando (que tinham Horace Grant e Shaquille O'Neal), Miami (com Kurt Thomas, Alonzo Mourning e Kevin Willis) ou New York (com Pat Ewing e Charles Oakley) precisavam dum ressaltador e defensor para reforçar o seu frontcourt.
Phil Jackson conta no seu livro Sacred Hoops que Rodman foi o sétimo nome numa lista de sete jogadores que definiram como alvos. Os receios em volta de Rodman eram vários: o seu comportamento (fora e, muitas vezes, dentro de campo) era cada vez mais estranho e indisciplinado, tinha fama de ser um jogador egoísta e incontrolável (Jerry Krause, o general manager dos Bulls tinha afirmado no passado que nunca iria submeter um treinador ao castigo de treinar Rodman) e era um dos Bad Boys de Detroit, que tantos comportamentos anti-desportivos e jogadas violentas tiveram com Jordan e Pippen.
Apesar do risco, sabiam, no entanto, que Rodman era um jogador perfeito para completar a equipa. Jordan e Pippen garantiram que as guerras anteriores estavam esquecidas e conseguiam jogar ao lado dele. E depois do próprio Rodman dizer a Phil Jackson que com ele não teriam qualquer problema e teriam mais um título, o ex-Bad Boy (bom, ex-Bad Boy de Detroit, porque ele continuou a ser um) tornou-se um Bull.
E Rodman esteve no seu melhor comportamento até ao dia 16 de Março, quando voltou a dar aquele colorido especial a um jogo que só ele conseguia:
O resto da história é conhecida: os Bulls terminaram a temporada regular com o melhor recorde de sempre, 72-10, e ganharam o primeiro de mais três títulos consecutivos.
Rodman, apesar das distracções ocasionais (ou também por causa delas, como quando conseguia destabilizar adversários como Karl Malone, Shawn Kemp ou Charles Barkley, só para nomear alguns dos mais ilustres), foi uma das peças mais importantes dessa equipa e um dos seus elementos mais emocionantes (e coloridos) de acompanhar.
