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Monday, April 11, 2011

Heat - Celtics, round 4

A pedido de vários leitores (bem, na verdade foi apenas um, mas como é um tema relevante e foi o jogo grande da jornada, vamos fazer-lhe a vontade), vamos falar do embate da noite passada entre os Heat e os Celtics (vitória dos Heat, 100-77).

Podemos fazer duas leituras deste jogo. Uma daquilo que se passou dentro de campo durante estes 48 minutos, outra daquilo que isso significa no contexto dos confrontos entre as duas equipas.

No que à primeira diz respeito, foi um jogo atípico, pois a vitória dos Heat foi conseguida de forma invulgar e contrária ao que tem acontecido durante toda a temporada. O Big Three de Boston marcou mais pontos que o Big Three de Miami (58-54), o que, em condições normais, seria garantia de vitória. Mas com os restantes jogadores aconteceu o contrário: o resto do cinco e o banco dos Celtics marcou menos que o resto do cinco e o banco de Miami (19-46). A equipa de Miami tem sido sempre (quase) exclusivamente dependente das suas três estrelas para produzir, enquanto os Celtics são conhecidos pela profundidade da sua equipa e pela boa produção do banco. Neste jogo foi exactamente o contrário. Apenas mais três jogadores dos Celtics marcaram pontos e nenhum marcou mais que 7 pontos (Rondo). Nos Heat, todos os jogadores marcaram pontos (que raridade para eles!) e apesar de nenhum ter chegado à dezena, vários contribuiram com 6, 7, 8 e 9 pontos.
Também no aspecto físico e na agressividade, outra marca dos Celtics, foram os Heat que estiveram melhor. Nos ressaltos? Idem. A turma de South Beach, criticada ao longo de toda a temporada pelo fraco jogo interior, ganhou a luta nas tabelas e conseguiu mais 16 ressaltos (e mais 12 ofensivos que Boston). Podemos dizer que estes foram 48 minutos em que os verdes provaram do seu próprio remédio. E 48 minutos que não responderam à questão de qual das equipas é melhor.

Numa segunda leitura, esta foi a primeira vitória de Miami sobre Boston esta época, o que pode ser importante em termos mentais. Os Celtics eram um obstáculo que os Heat ainda não tinham conseguido ultrapassar e se tivessem perdido mais este round, poderia ser um bloqueio mental para eles e uma vantagem psicológica de Boston no previsível encontro nos playoffs. Agora, perderam o medo. Agora já sabem que lhes podem ganhar. Foi uma pedra tirada do sapato. Mas pode também ser uma pedra enganadora. Porque, como referimos antes, a forma atípica como ganharam este jogo dificilmente se repetirá num próximo confronto.
Esta vitória no campo foi também uma vitória na batalha mental, mas para quem? Os Heat sabem agora que podem ganhar aos Celtics, mas sabem também que a jogar como habitualmente fazem, nunca o conseguiram. Os Celtics sabem agora que podem perder com os Heat, mas sabem também que a jogar como habitualmente fazem, nunca perderam.
Este round vai para os Heat, mas é um em que não se podem fiar demasiado.

Por isso, no meio de todos estes rounds e todas estas questões, fica apenas uma certeza: indepentemente de quem ganhou este round, independentemente de quem acabar em 2º e em 3º (e se ambas passarem, como se espera, a primeira ronda), espera-as um novo confronto. Terão de passar uma pela outra para desafiar os Bulls (se estes passarem as suas rondas também, claro) na final de conferência. Soou o gongo para o fim do quarto round. Mas ainda faltam sete. O combate ainda não chegou a meio.