Como se esperava, no jogo da noite passada que abriu os playoffs, os Bulls venceram os Pacers. E como se esperava, Derrick Rose (com 39 pontos) carregou os Bulls até à vitória. Mas, como não se esperava, os Pacers levaram-nos ao limite e durante mais de 44 minutos foram a melhor equipa em campo. E como não se esperava, os pupilos de Frank Vogel expuseram as lacunas da equipa de Tom Thibodeau e foi só já no último minuto (a 48'' do fim) que a equipa de Chicago passou para a frente do marcador pela primeira vez em todo o jogo.
Alguns números dos Bulls nesta partida:
- Derrick Rose marcou 39 pontos; o resto da equipa, 65.
- Derrick Rose tentou 44 lançamentos (23 LC e 21 LL); os restantes Bulls, 70.
- Rose marcou ou assistiu em 14 dos últimos 18 pontos dos Bulls.
Isto revela algo que já era claro ao longo da temporada regular (e os Pacers sabem-no): a unidimensionalidade do jogo dos Bulls. Jogam em 1D. Ou deveriamos dizer, jogam com 1D(-Rose)? Por isso, a estratégia de Indiana é desgastá-lo, obrigá-lo a trabalhar nos dois lados do campo. Exemplo disso foi Darren Collison, agressivo no ataque, em penetrações para o cesto. Como afirmou no fim da partida, "sabemos que ele vai fazer a maioria dos seus lançamentos. É o seu principal marcador e temos de fechar nele. Temos de tornar as coisas o mais difícil possível para ele."
Os Bulls também o sabem. Kyle Korver foi o porta-voz e disse que "temos de lhe dar mais apoio. Não podemos ir para jogadas de isolamento o jogo todo. Quer dizer, ele vai acabar por se esgotar e nós queremos continuar a jogar por muito tempo."

"O que é que fazemos? Passamos ao Derrick, né?"
A questão que se coloca é até quando Rose vai conseguir carregar a equipa às costas? E até quando isso vai ser suficiente para os Bulls vencerem? Jogar assim pode chegar para ganhar jogos na temporada regular. Pode até chegar para passar uma ronda ou duas nos playoffs. Mas não chega para ir até ao fim.
Porque uma série a sete jogos é completamente diferente dos jogos isolados da temporada regular. Aí, joga-se contra uma equipa e no dia seguinte parte-se para jogar com outra diferente. E jogar sempre da mesma forma (quando essa forma é boa!) pode ser suficiente. Sim, é claro que há scouting reports e as equipas estudam os adversários. E quem jogava com os Bulls durante a temporada sabia como eles jogavam. Mas ter apenas um jogo para aplicar (ou tentar) soluções é uma coisa. Ter vários jogos é outra. Ter uma teoria no papel e apenas uma oportunidade para aplicá-la é uma coisa (quantas coisas saem bem à primeira?). Ter vários jogos e múltiplas oportunidades em campo para experimentar é outra. Os jogadores ficam com um conhecimento melhor e mais profundo do oponente (quem jogou sabe que com mais jogos, fica-se com um "feel" melhor do jogador e da equipa que está à frente) e as defesas adaptam-se. É necessário então variar o ataque para responder às soluções do adversário. Serão os Bulls capazes de o fazer?
Porque poucas equipas sabem tão bem como eles quão fundamental isso é. Afinal, já estiveram nesta posição antes. Michael Jordan carregou a equipa sozinho durante 7 épocas sem qualquer título. Foi apenas quando teve mais apoio do resto dos companheiros e quando jogaram em equipa que alcançaram o sucesso perseguido. A história repetir-se-á?